Riso: uma exposição que é um caso sério

Reportagem, Na Cidade

Museu da Electricidade, Av. de Brasília, Central Tejo. 21 002 8130. Ter-dom, 10.00-18.00. Entrada gratuita. Até 17 de Março.
Há mais para dizer acerca do riso do que uma simples gargalha ou um sorriso rasgado. No Museu da Electricidade mergulhou-se a fundo neste tema e o resultado é uma exposição cómica, mas onde o riso é também um caso sério. Para isso, seguiu-se uma receita complexa: obras de arte, séries de televisão, uma pitada de sátira política, um ou dois palhaços pelo meio e alguns livros à mistura. 
O resultado é a surpresa, ao percebermos a diversidade de coisas que nos fazem rir.
 
A exposição é um labirinto que nos transporta para os bastidores de um teatro e que conta com cerca de 400 obras de 133 artistas. Começa com um letreiro luminoso de circo que anuncia o tema, mas logo a seguir, damos de caras com dois animados convivas de olhos em bico (quem sabe se não estarão a representar os novos donos da EDP). Os ecrãs estão por todo o lado. Exibem as séries americanas que marcaram o século XX, desde I Love Lucy, aos Simpsons, mas também as melhores paródias nacionais: com Raul Solnado, Herman José e Gato Fedorento.
 
Demorou um ano e meio a preparar e, a par de “Povo”, é a maior exposição que já passou pelo museu. Neste caso, há uns quantos dedos das Produções Fictícias, responsáveis pelos conteúdos audiovisuais, que estão ali em peso. José Manuel dos Santos, director cultural da Fundação EDP, reconhece o óptimo timing da exposição: “Permite-nos questionar se a crise não será o resultado de um excesso de humor em que vivemos até aqui.”
 
Gargalhadas de ópera não são para todos e são poucos os que conseguiram dá-las bem. Os melhores exemplos foram fechados num corredor (Don Giovanni, As Bodas de Fígaro e Fausto) e podem ser ouvidas por quem passa. Mais à frente, sexo é a piada, com um conjunto de desenhos coroado pela célebre frase da actriz Glenda Jackson: “O mais importante em representar é saber rir e chorar: quando quero rir, penso na minha vida sexual, quando quero chorar, penso na minha vida sexual.”
 
Os recortes de jornal reúnem o melhor da sátira política, paredes meias com quadros de Paula Rego. Os gessos de Almada Negreiros ocupam um lugar de destaque, embora muitas atenções também se virem para o carrossel de cães de Joana Vasconcelos. Mas a exposição “Riso” não fica por aqui. Ainda sem data estão as visitas de alguns humoristas e um ciclo de cinema.

Mauro Gonçalves

 

Comentários

    pauka
    podem colocar as datas ? é que ao consultar não sei se está a decorrer ou não ex: exposição no museu eletricidade
    14-08-2013 19:24:00

Insira o seu comentário






Captcha




© 2007 - 2014 Time Out Group Ltd. All rights reserved. All material on this site is © Time Out.