Um dos pioneiros a fazer tapas entre nós muda-se para um espaço novo, no Cais do Sodré, conta Mariana Correia de Barros.
Podíamos começar este texto com uma frase feita, do género “Há mais um restaurante de tapas em Lisboa.” Não seria mentira, mas também não seria totalmente verdade. Porque o Mesón Andaluz, que ocupa agora o espaço do antigo Alecrim às Flores, não é só um restaurante de tapas. Tem anos e anos de história – 33 para sermos exactos –, e tem uma legião de fãs que o conhece desde o dia em que abriu, na Parede ou, mais tarde, desde 1991, das idas ao Cascaishopping, onde o restaurante esteve alojado até se mudar para Lisboa.
O dono, Ilídio Almeida, garante que foi um dos primeiros a cozinhar tapas na nossa zona, e a conseguir passar jamón ibérico pela fronteira. “Não era legal trazer na altura, mas eu acabei por nunca perder nenhum dos presuntos que comprava”, diz.
Ilídio é português de pura cepa (nasceu na Covilhã e vive na Linha há mais de 40 anos), mas conheceu a gastronomia espanhola quando casou com a mulher, natural da Andaluzia. “Primeiro apaixonei-me por ela e depois pela cozinha.” Por isso decidiu montar uma casa com tapas, bom presunto, queijos espanhóis, paellas autênticas e uma excelente carne de boi maturada das Astúrias. “Temos também uma herdade em Arraiolos de onde vêm alguns produtos biológicos, como os borregos de pasto, os leitõezinhos e as ervas de cheiro.”
Dos anteriores espaços, este Mesón trouxe a equipa de cozinha, a equipa da sala, parte da garrafeira, com várias referências espanholas (tinha 4800 garrafas no centro comercial, e aqui está à espera de encontrar um espaço para as arrumar) e alguns pratos estrela como a paletilla de cordero lechal (19€), a canja de perdiz brava (8,50€), o gazpacho andaluz (5,50€) e uma série de tapas obrigatórias como os pimentos padrón, os de piquillo, as batatas bravas e os revueltos de espargos verdes. Mas introduziu algumas novidades. Entre elas está a tortilla superior (feita só com gemas de ovos), os ovos rotos com trufa negra ou o ceviche de bacalhau fresco.
“A nossa bandeira é a tapa, mas depois temos outros pratos mediterrânicos”, explica Ilídio. Que além de estarem na carta, entram também nos menus de almoço, com um prato a 9€. De resto, já se sabe: a banda sonora é espanhola, a cerveja da Galiza (Estrella Galicia) e o espírito de partilha também.
Travessa do Alecrim, 4. 21 460 0659. Seg-Dom 10.00-00.00 (Domingo encerra ao almoço)
Artigo publicado na edição nº266 da Time Out Lisboa, de 31 de Outubro de 2012.