Comédia, Segundas, às 00.30, na SIC Radical.

A maioria das pessoas que ganha a vida a fazer humor em Portugal não tem ideias próprias, limitando-se a reproduzir conceitos e noções batidas que não reflectem em nada a realidade, muito menos a vida e a posição delas. E se isso é ridículo, mais bizarro ainda é haver pouca gente que se insurja contra isso.
O regresso de Bruno Aleixo, o canídeo originário de Coimbra, serve em parte para nos salvar a todos da mediocridade de subprodutos como 5 Para a Meia-Noite ou da existência de Marco Horácio. Num dos novos segmentos recorrentes do programa há um momento de humor patrocinado pela marca fictícia de “viagens e utilidades” Mister Cimba, em que se goza com os lugares comuns e a boçalidade do humor português. Num mundo perfeito, o anúncio de um “curso de escrita de humor” que apareceu no segundo episódio seria suficiente para levar à reforma toda a gente que alguma vez ganhou dinheiro a “ensinar” que o humor se faz de fórmulas e que é algo que se aprende com facilidade, enquanto o brilhante momento de stand-up propositadamente fraca faria o mesmo a muitos cómicos.
Adicione-se isso a momentos musicais como “Erasmus Girls”, com DJ Ride, e as entrevistas caracteristicamente brilhantes, e tem-se o melhor programa cómico português da actualidade, com personagens, apesar de bizarras, mais reais e representativas do país do que muitas outras. E, mesmo que a execução seja tosca, barata e menos que perfeita, isso faz parte da magia.
Rodrigo Nogueira