Carla Chambel pega em armas

Entrevista, Filmes

A actriz portuguesa lidera uma brigada de investigação no novo filme de Joaquim Leitão, Quarta Divisão, e contou a Luís Salvado como foi pegar em armas.
Já a tínhamos visto de armas na mão em 98 Octanas, mas desta vez o tom é mais próximo da realidade do dia-a-dia: Carla Chambel interpreta uma oficial da polícia que lidera as buscas para encontrar uma criança desaparecida em Quarta Divisão, realizado por Joaquim Leitão.
 
Fazer o Quarta Divisão exigiu uma preparação especial à americana, junto da polícia?   
Sim, foi tudo muito completo. Falei longamente com um comandante da BIC [Brigada da Intervenção Criminal] sobre o funcionamento destas brigadas, depois visitei dois subcomissários, incluindo uma senhora, até para saber como ela se relacionava com os colegas. Depois, tive de me preparar fisicamente, para ter um porte mais adequado, e tive uma formação intensa, que incluiu manejamento de armas, algemamento, acção no terreno e lidar com os detidos. Foi muito completo a esse nível. 
 
O filme tem uma reviravolta perto do fim que não agradará a todos. Isso foi discutido?
Eu já tinha trabalhado com o Quim [Joaquim Leitão] noutros projectos e ele altera sempre coisas no processo de trabalho, quando estamos a rodar, o que também nos dá alguma instabilidade interior, que acaba por funcionar a favor do filme. Neste filme, ele foi mais longe porque nos fez rodar mais que uma versão de determinadas cenas, nomeadamente do final. Portanto, existe um final alternativo, que está rodado, filmado e editado. Mas este é o final escolhido, e eu estou muito satisfeita com ele, até porque joga a favor da minha personagem. A partir daí é esperar que as pessoas o aceitem, é uma questão do público achar se ele é mais ou menos politicamente correcto.

É a primeira vez que és protagonista num filme do Joaquim Leitão. A responsabilidade é muito maior?
Sim, há um certo medo para não defraudar as expectativas. Mas para mim ser protagonista tem uma vantagem, que é a de se filmar praticamente todos os dias e por isso a personagem estar sempre aquecida. É mais ingrato filmar no início da rodagem e depois filmar mais duas ou três sessões no fim, porque já fizemos outros trabalhos pelo meio e a personagem já perdeu a energia.

Este é o último filme de ficção subsidiado pelo Estado com estreia agendada. Isto merece-te algum comentário?
O que é que eu posso dizer? Hoje quem faz cinema em Portugal, fá-lo por gosto, não para ganhar dinheiro. Eu tenho a sorte de fazer mais cinema, e também fiz essa opção, claro. Fiz depois o último filme do Paulo Rocha, e espero que estreie, o que é incerto. O trabalho é mais compensador no cinema mas o futuro é completamente incerto.



 

Comentários

Insira o seu comentário






Captcha




© 2007 - 2014 Time Out Group Ltd. All rights reserved. All material on this site is © Time Out.