Uma Velha na Sé

Novidade, Noite

Rodrigo Nogueira foi à Velha Gaiteira, que de velho só manteve o nome e o local. Agora é um bar novinho em folha, com copos e tapas.
É fácil confundir esta Velha Gaiteira com outras Velhas Gaiteiras. Há, por exemplo, uma banda que junta a gaita-de-foles transmontana à percussão tradicional da Beira Baixa que usa exactamente esse nome. Nesse caso, porém, as confusões não são assim tantas: uma é um bar/restaurante, outra é uma banda. Mais simples é confundir esta Velha Gaiteira com outra que existia exactamente no mesmo sítio, com música ao vivo, outro conceito, horário e modo de funcionamento. 
 
Essa já não está lá. A nova Velha Gaiteira é um bar/restaurante onde as tapas, a herança espanhola, o vinho a copo e o ambiente são os ingredientes fortes. Com o tempo, é fortemente provável que volte a ter música ao vivo – mas calma, que o prédio onde a Velha se encontra é de habitação e houve no passado problemas com vizinhos e níveis de som – e eventos dedicados à literatura. No entanto, por agora a ligação à cultura só se nota no facto de dar espaço para artistas exporem a sua arte (a exposição que neste momento adorna as paredes é feita literalmente com a prata da casa antiga, fotografias que os novos donos encontraram guardadas, meio esquecidas, algures por lá, mas lá para o final de Março isso mudará).
 
Da velha há ainda muito: grande parte da decoração foi mantida, como os recortes de jornais antigos, com publicidade a revistas à portuguesa a fazer pouco da ditadura, que forram as paredes da casa de banho, por exemplo. Mas esta nova gaiteira é um sítio para comer (tanto pratos propriamente ditos, com refeições a sério, como petiscos, sejam tapas ou não), estar, beber ou ler, todos os dias (ainda não foi decidido um dia de fecho) do meio-dia às duas da manhã (a happy hour é até às 23.00 e inclui todo o tipo de tapas, de tortilhas a queijos, passando por ovos ou batatas, mais uma imperial – Estrella Damm – por 1,50€).

A ideia foi de Santos Castelo, castelhano que é licenciado em hotelaria e já passou pela cozinha de vários espaços de Espanha a Portugal, e de João Paulo Caio, que é ligado à gestão e queria, desde os anos 80, abrir um sítio destes, com espaço para mostrar artistas. Queriam algo diferente, que juntasse Portugal a Espanha, um sítio onde se pudesse beber um copo ao fim do dia e comer tapas e petiscos de qualidade sem gastar muito dinheiro. Algo que, diz Santos, é fácil encontrar em Espanha mas muito difícil em Portugal. Importante, para Caio, era também não ter um “balcão de alumínio nem uma vitrina frigorífica” e ser no centro de Lisboa. Em Agosto descobriram este sítio perto da Sé, na Rua das Pedras Negras  e em Dezembro abriram portas. 
 
A Velha Gaiteira não é grande nem pequeno, tem espaço para cadeiras, mesas, sofás e um ambiente convidativo para quem olha da rua. Passar lá tardes é uma forte hipótese. “Queremos trabalhar um conceito slow, com pessoas a ficar cá a ler ou a conversar ou a beber copos durante três horas. Não queremos pressionar ninguém a consumir e queremos que se sintam bem”, diz Caio. 
 
Não havendo ainda programação musical, a música, gravada, é escolhida pelos donos. “Somos eclécticos, pomos de tudo a tocar. Depende dos dias e das pessoas que por cá apareçam, pode-se ouvir Tindersticks, Portishead, Spain, Penguin Cafe Orchestra. Às vezes podemos estar a pôr Tricky e depois, para acalmar, Rodrigo Leão. É sempre na onda mais alternativa, e não há punk rock.” Ou seja, tudo sem muita pressa, como o próprio bar.
 
Velha Gaiteira. Rua das Pedras Negras, 17 (Sé). Dom-Sab 12.00-02.00.



 

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