Um dos méritos de O Rapaz do Pijama às Riscas é indiscutível: conseguiu demonstrar que é possível de uma forma clássica que julgávamos ultrapassada numa era de informação global, contar o Holocausto às crianças. Ou pelo menos aos pais de milhões delas que um pouco por todo o mundo já compraram o livro do irlandês John Boyne.
Uma vez descoberta a fórmula mágica, o autor avança com pinças sobre o terreno e é por isso que o texto da capa é bastante vago sobre a história que vai ser contada, remetendo-nos para um mistério e um segredo que roça o tom de alguns livros de auto-ajuda que se propõem mudar-nos a vida. Pura jogada táctica defensiva, mas convenhamos, eficaz.
Começada a leitura, todas estas bizarrias estão plenamente justificadas: o livro é mesmo uma viagem iniciática escrita e destinada a ser consumida massivamente mas que tem o dom de nos convencer através da emoção rigorosamente traçada a regra e esquadro que foi escrito a pensar em cada leitor individual. O final adivinha-se facilmente mas não temos tempo de nos irritar, numa altura da leitura em que ainda queremos acreditar que não vai ser possível que tudo acabe da forma que suspeitamos.
Não vai ser fácil a John Boyne livrar-se da sombra de Bruno, o herói deste livro, escrito de uma forma simples, cristalina e pensado para ser recomendado aos amigos.
Rui Lagartinho, jornalista RTP
terça-feira, 4 de Março de 2008

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