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Os cientistas não vivem nos laboratórios


É a Noite dos Investigadores, mas começa cedo e há tempo para tudo. Bárbara Cruz diz-lhe onde pode fazer experiências, correr pela ciência ou até dedicar-se ao speed dating.

Sejamos honestos: são raras as vezes em que falamos de cientistas e não nos vem imediatamente à cabeça a imagem de um homenzinho despenteado, bata branca e óculos bem graduados, alheado do mundo por passar o dia inteiro com a cara nos livros ou a olhar com devoção um líquido de cor estranha e utilidade indefinida. Esta é a realidade dos factos. E se haverá, com certeza, casos destes, ao que parece os cientistas também têm vida social e outros interesses que vão para além de fórmulas químicas ou das correntes da semiótica estruturalista. Para provar esta arrojada teoria, na próxima sexta feira, decorrerá em simultâneo em várias cidades da Europa, a Noite dos Investigadores, com o intuito de acabar de vez com a ideia de que os cientistas são “ratos de laboratório” e que vivem privados de qualquer contacto humano, excluindo as conversas breves com os colegas de profissão apenas para discutir a teoria do Big Bang ou a problemática da evolução das espécies.

“O objectivo é desmistificar a imagem do cientista, mostrar em que consiste o trabalho de investigação e realçar o contributo da ciência na sociedade”, explica Ana Paula Godinho, do Instituto Gulbenkian da Ciência, responsável pelas actividades em Lisboa, que decorrerão ao mesmo tempo que um programa no Porto.

Na capital, a noite começa bem cedo: logo pelas 14 horas abre-se ao público a tenda instalada no Centro Cultural de Belém. A entrada é grátis e as portas encerram só à uma da madrugada. “O que quisemos foi criar ambientes informais e divertidos, mostrar o que é realmente o dia-a-dia da ciência”, reforça Ana Paula Godinho. Daí que todas as actividades tenham sido concebidas de forma a privilegiar a interactividade entre público e cientistas, aproveitando este contacto também para a angariação de fundos. Ao início da tarde começa a “Caminhada pela Ciência”, mas para participar não precisa de sair do sítio: basta pagar os dez euros de inscrição e pedalar nas passadeiras e bicicletas fixas. Os quilómetros percorridos serão ainda convertidos em euros e revertem a favor da Associação Portuguesa Contra a Leucemia, que apoia a investigação científica nesta área da medicina.

A decorrer até às 22h estão também as experiências com cientistas: fazer “pega-monstros” ou extrair ADN de um morango são algumas das habilidades previstas para estimular os menos entusiastas dos fenómenos da química e da biologia. Sempre patente estará a exposição de “Retratos de Um Cientista”, um concurso de fotografia promovido pela Comissão Europeia que premiará depois os melhores retratos a nível europeu. O Champimóvel, veículo da Fundação Champalimaud, estará sempre aberto às crianças que queiram viajar por dentro do corpo humano através de uma exposição interactiva.

Mas para quem for à procura de respostas, o speed dating com cientistas é o ideal. Não, não é a solução para os problemas amorosos, porque a isso nem a ciência consegue dar resposta exacta. São cinco minutos de conversa com especialistas nas mais diversas áreas, da física à sociologia, dispostos a falar sobre trabalho e não só.

A partir das 22.00 a música começa a disputar o espaço da ciência: entram em palco tunas académicas e bandas formadas por cientistas.

O programa detalhado está em www.igc.gulbenkian.pt/ investigadores2008/, assim como o blogue de 14 cientistas que não se importam de partilhar online as suas experiências dentro e fora das bibliotecas e laboratórios.

terça-feira, 23 de Setembro de 2008



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