Seja por uma questão de moda, seja por convicção pura, as preocupações ambientais estão cada vez mais na ordem do dia. Conscientes desta realidade, e da crescente emergência de um público “verde”, as marcas de roupa e acessórios começam a orientar as suas apostas nesse sentido, numa relação que acaba por ser vantajosa para todos: as marcas vendem, os clientes agradecem, o ambiente sofre (um bocadinho) menos.
A Pepe Jeans, por exemplo tem um linha de jeans ecológicos, totalmente produzidos em algodão orgânico, sem recurso a químicos ou pesticidas, e com um processo de lavagem orgânico e 95 por cento eco-amigo (que inclui, entre outras coisas, areia do mar).
Já a Nike lançou a colecção Considered, de roupa e calçado. Cada peça foi desenhada de modo a tornar o processo de fabrico mais rentável em termos de economia de energia: usa menos materiais (cinco no caso dos ténis, em oposição aos cerca de 25 habituais), na sua maioria recicláveis e provenientes de fornecedores próximos da fábrica (para poupar combustível), e tem menos desperdícios. “É uma evolução natural. Quem aprecia os desportos ao ar livre tem uma afinidade e um relacionamento particularmente próximos com o ambiente natural, pelo que está particularmente inclinado para considerar o seu impacto sobre o mesmo”, explica a Nike.
Quem também não escapou à onda ambiental foi a H&M, com a colecção Organic Cotton & Recycle, composta por peças de algodão orgânico certificado pela Control Union e proveniente de países como a Turquia, Índia ou China.
“O interesse pelo algodão orgânico está a aumentar e a H&M pretende continuar a oferecer peças de moda feitas nesse material a um preço acessível. Este Outono demos um passo à frente e introduzimos algumas peças de outros materiais reciclados, como é o caso da lã e do poliéster”, explica Inês Fontoura, relações públicas da marca. Desde 2003, a H&M é membro do Organic Exchange, uma organização internacional que promove o crescimento do algodão orgânico, e da Better Cotton Initiative, criada pela WWF.
Rip Curl, Undercolors of Benetton ou Timberland são outras das marcas atentas ao ambiente. A Rip Curl desenvolveu a linha Rip Curl Planet, com t-shirts, calções e mochilas produzidos com algodão orgânico, linho e plástico reciclado; a Benetton criou a colecção We Love to B Green, também em algodão orgânico (pijamas, meias e sacos); e a Timberland tem vindo a introduzir nas suas peças a etiqueta Green Index, que distingue o impacto de cada produto em três categorias: clima (índice de emissões de carbono produzidas pelo produto), químicos (quantidade de substâncias usadas na produção) e material (uso de materiais orgânicos, renováveis e recicláveis). A classificação de cada produto é feita de zero a dez, sendo zero a pontuação mais amiga do ambiente.
Para além das marcas que recorrem a produtos naturais, há outras que, literalmente, andam atrás de lixo com utilidade. É o caso da portuguesa Tela Bags e também da marca de sapatos URoads. As malas da Tela Bags são feitas a partir de telas de PVC desactualizadas (de cartazes de publicidade ou eventos culturais), o que evita que vão parar ao seu destino habitual – o aterro. A URoads, por sua vez, dá um novo uso aos pneus velhos, aproveitando-os para fazer solas de sapatos.
Apenas uma recomendação: os produtos ecológicos continuam a ser uma minoria nas lojas portuguesas (mesmo nas que já criaram estas linhas verdes). Por isso, se quiser aderir à moda mas não quiser perder tempo à procura dos cabides certos, assim que entrar numa loja pergunte logo que produtos cumprem estes requisitos. É bastante mais fácil.
terça-feira, 25 de Novembro de 2008

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