Metallica (Sexta-feira, Palco Optimus, 21.00) Em 2008, a maior banda de metal do planeta matou um longo período de discos medianos, mudanças de pessoal e complicações com várias substâncias mais ou menos legais lançando o álbum Death Magnetic, um assombroso regresso aos longos e densos tratados de thrash metal. O resto da noite metálica de sexta no palco principal também anda perto do essencial, com aparições dos Slipknot, Machine Head, Lamb of God, Mastodon e Ramp. E se não houver atrasos, ainda se pode sair dos Metallica a tempo de apanhar a synthpop suja dos Crystal Castles (a partir das 00.30) e a electrónica acidentada mas dançável de Erol Alkan, ambos no Palco Super Bock.
The Prodigy (Sexta-feira, Palco Optimus, 00.30)
A banda de Liam Howlett, Keith Flint e Maxim Reality descobriu a pólvora nos anos 90, ao injectar um ambiente de tumulto tipicamente punk no coração das raves. Os seus concertos são experiências intensas e eufóricas, e esta é a altura certa para os reencontrar, agora que regressaram aos discos incendiários com Invaders Must Die. Prodigy à parte, sábado é um bom dia para acampar junto ao Palco Super Bock, que oferece indie-pop bastante razoável com os Hadouken! e The Ting Tings, provocações arty com os Fischerspooner e pancadaria tecno e electro com os Zombie Nation. Se chegar cedo, não perca o hip-hop e o ragga de Bezegol no Palco Optimus, às 19.30.
The Black Eyed Peas (Sábado, Palco Optimus, 22.15)
Para The E.N.D., o seu quinto disco de originais, will.i.am e os outros decidiram alugar um vaivém espacial e gravar as suas canções pop/ hip-hop/ tecno/ funk algures entre Júpiter e Saturno. Vai ser interessante, então, perceber como é que temas alienígenas da estirpe de “Boom Boom Pow” se dão em palco – e se “I Got a Feeling” será elevado ao estatuto de hino de Verão que amplamente merece. Chris Cornell também merece um apoio na sua bizarra transformação em galã do r&b à boleia de Timbaland (actua às 20.30), e Boss AC mostrará como se faz hip-hop aberto para o mundo. No Palco Optimus vai dar para dançar furiosamente com Autokratz e Deadmau5.
Klaxons (Quinta-feira, Palco Super Bock, 22.45)
Este quarteto britânico chegou às atenções gerais preso num comboio de bandas que se anunciavam influenciadas pela revolução colorida do acid house e do segundo Verão do amor de 1988-89. Na verdade, os Klaxons ainda não ultrapassam o patamar de grupo um bocadinho mais interessante do que o lamaçal indie britânico, mas pode ser que o novo repertório os imponha como uma espécie de Arctic Monkeys- -com-sintetizador. Neste dia há também um quarteto de projectos nacionais que merecem alguma atenção (Os Golpes, Tiguana Blues, The Bombazines, Mazgani), mas que lutam contra um cartaz metálico arrasador.
Eagles of Death Metal (Sexta-feira, Palco Optimus, 18.30)
É a outra banda de Josh Homme, a alma dos Queens of the Stone Age, e é do conhecimento mais ou menos comum que fazem música que nada tem a ver com os Eagles ou com o death metal. Os EoDM são a banda hóbi de Homme: divertidos, descomprometidos, brincam com e homenageiam o imaginário rock americano, mas fazem uma viagem despachada entre o ouvido esquerdo e o direito. Antes deles, Os Pontos Negros poderão demonstrar se têm arcaboiço e repertório para um megafestival de Verão, e no palco Optimus Discos pelas 20.30 estará DJ Ride – arranje tempo para conhecer os dotes de montagem sonora deste produtor luso.
Lykke Li (Sábado, Palco Super Bock, 23.40)
Não há sítio no mundo com mais génios visionários da pop por metro quadrado do que a Suécia (se bem que vizinhos como a Noruega e a Dinamarca não andam muito longe), mas a Lykke Li ainda lhe falta um bocadinho assim para se juntar a Robyn, Annie ou The Knife. Tem umas quantas canções simpáticas, é certo, mas a sua voz frágil de pardalito abandonado e um repertório que abusa do tom caseiro-intimista tendem a mexer um pouco com os nervos. No Palco Optimus, Ayo mete a sua mistura de reggae, folk e música africana entre Boss AC e Chris Cornell (!), à mesma hora em que se ouvirá o indie juvenil e temperamental dos galeses Los Campesinos!
TV on the Radio (Quinta-feira, Palco Super Bock, 21.20)
Estes queriduchos imperadores da cena alternativa de Brooklyn são, claramente, o Beck desta década. Os sinais estão lá todos: são afáveis, inspiram sentimentos positivos, aparentam possuir um conhecimento ilimitado da história da pop-rock, as suas colecções de discos hão-de ser um verdadeiro maná, são pessoas esteticamente disponíveis, as suas canções parecem ter tudo no sítio, mas... Os TVotR são o pós-modernismo no que este tem de mais estéril – é música que vive de (geralmente boas) ideias emprestadas, que acredita que a história chegou mesmo ao fim, e que agora é só baralhar e voltar a dar. Não chegou. Não é.
Placebo (Sexta-feira, Palco Super Bock, 22.45)
Sim, o grupo de Brian Molko ainda teve alguma gracinha enquanto funcionou como antídoto para a chusma de bandas britpop que assolou o mundo na segunda metade dos anos 90, mas rapidamente chegaram à conclusão que a melhor forma de sobreviver passava por encostarem-se ao público gótico juvenil e proto-emo e debitarem disco atrás de disco de música profissionalmente trombuda. Mas a trombice ainda se aguenta – o que não se aguenta mesmo é a voz de sirene avariada de Brian Molko. Na sexta, tenha também muito cuidado com o entediante misticismo electrónico dos Blasted Mechanism e com a britpop fora de prazo dos Kooks.
Dave Matthews Band (Sábado, Palco Optimus, 24.00)
É daquele tipo de bandas que, num mundo perfeito, estaria proibida de sair dos EUA. País que alimenta um insondável fascínio por gente que faz rock “adulto”, “agradável”, suave e tecnicamente inatacável. E ninguém é mais bem sucedido nesse mister do que a Dave Matthews Band, que já vai em oito álbuns de estúdio cheios de cantigas mortalmente entediantes, complementados por um ror de discos ao vivo – sim, esta é uma jam band, não muito distante em espírito dos Grateful Dead e que, tal como o grupo do finado Jerry Garcia, estimula os milhões de seguidores a gravar os seus concertos. E é que gravam mesmo...
O Optimus Alive! 09 ocupa o Passeio Marítimo de Algés de quinta-feira a sábado.
terça-feira, 7 de Julho de 2009

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