Time Out Lisboa logo
   Versão BETA







Vox Pop Time Out

É um sushi lover?


Não
Por vezes


  

Criticas

Criticas

Destaques
Adicione aos Favoritos


Print this page   Send to a friend
A Morte de Bunny Munro


Nick Cave
Objectiva, 16,50€

O primeiro romance de Nick Cave em 20 anos é levado por uma escrita febril que umas vezes anda aos círculos e outras avança às golfadas. Mas quer de uma forma, quer de outra, nem Cave nem quem o lê se desorientam muito durante a curta e alucinada narrativa de A Morte de Bunny Munro.

Uma narrativa dominada por um tipo de popa loira (Bunny Munro, o próprio), caixeiro-viajante que impinge um catálogo de cosméticos a mulheres novas e velhas, de Brighton (sul do Reino Unido) e arredores. Quando se cruza com uma mulher que lhe dá tusa (o que acontece a cada duas páginas), a única coisa que ocorre a Bunny é visualizar a vagina da potencial conquista. Aliás, “visualização da vagina” deve ser a expressão mais repetida no livro. Quase tão repetida é a presença de Kylie Minogue, sobretudo a Kylie de “Spinning Around” e do respectivo vídeo, onde a cantora usa uns minúsculos calções dourados. Pode-se dizer que os calções de Kylie proporcionam a Bunny a tusa suprema – isso e Avril Lavigne.

O efeito é tão gráfico que o autor achou necessário pôr o nome das cantoras na lista dos agradecimentos, “com amor, respeito, e um pedido de desculpas”.

A Morte de Bunny Munro tem uma secura de escrita e um humor, uma dinâmica e uma capacidade imagética que estão mesmo a pedir uma passagem para o cinema ou para o teatro. Tal como o Patrick Bateman de Psicopata Americano de Brett Easton Ellis, Bunny Munro é dado ao tipo de alucinações e visões que podem pedir uns parágrafos até se perceber que se descolou da realidade. As visões costumam envolver Libby, a esposa sofrida e deprimida que se enforca no início do livro. E ainda há Bunny Junior, um miúdo sobredotado que sofre de blefarite avançada (inflamação das pálpebras) e decora cada entrada da enciclopédia que a mãe lhe ofereceu.

O humor meio negro que transporta os primeiros dois terços do livro (Geoffrey, o patrão de Bunny, “está sentado na cadeira giratória como se fosse (...) uma amálgama de excesso de homem e escassez de máquina”) não aguenta a escalada da insanidade do protagonista. A recta final é forçosamente dramática e perturbante, mas a conclusão deixa um certo sabor a anticlimax. Ainda assim, nestes dias, um Nick Cave lido é bem mais refrescante do que um Nick Cave ouvido.

Jorge Manuel Lopes

terça-feira, 13 de Outubro de 2009



Veja também




O que pensa? Coloque a sua opinião
Nome *
Email *
Comentário *
   
*Campo obrigatório




© 2007 Time Out Group Ltd. Todos os direitos reservados.
Ficha Técnica | Estatuto Editorial


Av. da Liberdade, nº13 - 3ºEsq. 1250-139 Lisboa
Telefone: 21.359.31.00 Fax: 21.359.31.31
e-mail: geral@timeout.pt
Empresa jornalística: 223 753 * Registo de título: 125 225
Director: João Cepeda