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Afinal quem é que ouve audioli


Em duas semanas, dois debates

E de repente voltou a falar-se, com entusiasmo e paixão, de audiolivros, essa espécie de leitura assistida para quem não quer ou não pode (caso dos invisuais) dedicar-se ao prazer de devorar, por si mesmo, as páginas de um volume impresso.

Na passada quarta-feira, a editora 101 Noites, que acaba de lançar a colecção “Livros para Ouvir”, organizou no Museu da Electricidade uma conferência intitulada “Futuro do Audiolivro em Portugal”, com Sandra Silva (responsável pela editora), Nuno Franco (realizador que dirigiu os actores no projecto), Mafalda Lopes da Costa (jornalista ligada aos livros) e Marcelo Rebelo de Sousa. Amanhã, quinta-feira, será a vez do auditório do Goethe Institut acolher, pelas 18.30, o debate “A leitura no novo século: os audiolivros”, em que estarão representantes de duas das maiores editoras alemãs que se dedicam a este nicho de mercado, Heike Völker-Sieber (da Hörverlag) e Theresia Singer (da Headroom Sound Production), além da portuguesa Oriana Alves, que representa o projecto A Boca. João Morales, director da revista Os Meus Livros, modera.

Uma das maiores resistências que os promotores dos audiolivros têm de vencer relaciona-se com a ideia de que estes novos suportes (primeiro a cassete, depois o CD e agora o mp3) alimentam uma certa preguiça dos leitores e contribuem para a iliteracia. Este problema foi várias vezes aflorado no Museu da Electricidade, onde Sandra Silva explicou que as obras agora lançadas pela 101 Noites podem ser descarregadas, em ficheiros digitais, para os iPods dos jovens que supostamente andam a virar as costas aos livros. Se eles não procuram a literatura, vai a literatura ter com eles, parece ser o objectivo.

Para isso, nesta primeira fase dos “Livros para Ouvir”, a editora disponibiliza seis contos clássicos de autores portugueses: A Estranha Morte do Professor Antena, de Mário de Sá-Carneiro (lido por João Perry); Civilização, de Eça de Queirós (por José Wallenstein); Mulher de Perdição, de Florbela Espanca (Alexandra Lencastre); Sempre Amigos, de Fialho de Almeida (Eunice Muñoz); Sete Mulheres, de Camilo Castelo Branco (Nuno Lopes); e Um Jantar muito Original, de Fernando Pessoa (São José Lapa).

Mas quantas pessoas ao certo é que ouvem audiolivros por cá? Eis o busílis da questão. Como no resto da actividade editorial, faltam números, estatísticas, avaliação quantitativa. Mafalda Lopes da Costa, que traçou a história do audiolivro desde o seu surgimento, nos anos 30, até à actualidade, fala em 76% de compradores do sexo feminino e em 53% de ouvintes que escutam os livros nos seus carros, mas esta informação diz respeito aos Estados Unidos da América. Além disso, numa conferência sobre o “futuro”, foi do que aí vem que menos se falou.

Quanto ao debate de amanhã, talvez possamos aprender alguma coisa com os alemães, ou não fosse o mercado germânico um dos mais pujantes nesta área específica: 17 mil títulos em circulação, 500 editoras envolvidas no negócio e subidas de 20% nas vendas em 2006.

terça-feira, 27 de Novembro de 2007



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