Siga estes passos: de Time Out na mão, dirija-se até à cozinha. Não pare de ler. Já chegou? Muito bem. Agora olhe à volta e memorize, em 30 segundos, todos os electrodomésticos brancos, em inox e sem graça nenhuma que a vista conseguir captar. Já está? Morreu de tédio? É normal. Mas antes que comece a hiperventilar e a atirar torradeiras e varinhas-mágicas para o lixo, com vontade de correr para uma loja em busca de modelos mais modernos, apresentamos-lhe uma solução que só traz alegrias: a pintura personalizada de electrodomésticos.
“Mas porque é que eu não pensei nisto antes?”, perguntará. Há duas respostas: porque a cabecita nem sempre dá para tudo (assim como o jeito), e porque houve alguém que já lhe facilitou a vida e pensou nisso primeiro. Esse alguém foi Bruno Baleiras. Há pouco mais de um ano um amigo perguntou-lhe porque não usava o seu talento como writer (como se chamam os artistas que fazem grafitti) para pintar um frigorífico que tinha lá em casa. Funcionava bem, mas tinha mau aspecto. “A ideia inicial era que lhe pintasse o frigorífico de branco, mas já que ele estava a remodelar a cozinha sugeri fazer alguma coisa diferente”, conta Bruno Baleira.
Os restantes amigos gostaram do resultado e também quiseram. “Comecei a ter trabalho quase todos os fins-de-semana, quase sempre de graça, e resolvi criar um site para divulgar o trabalho”. Estavam dados os primeiros passos da Argonarms, uma empresa especializada na “remodelação” de electrodomésticos com design.
Mas afinal, como é que isto funciona? Não tem nada que saber. Torradeiras, frigoríficos, esquentadores, microondas, tudo pode ser alvo duma intervenção artística. Os padrões são ao gosto do freguês, e Bruno Baleira garante que tudo pode ser feito. “Ainda não nos pediram nada que não se conseguisse fazer”, diz. E já pediram coisas complicadinhas, como uma caldeira enorme, toda ela decorada com o padrão da marca Louis Vuitton.
Escolhido o objecto (que pode ser novo ou utilizado), a Argonarms entra em acção. Dependendo do desenho escolhido, a pintura pode ser feita em casa do cliente ou num atelier. Um frigorífico leva um a dois dias a ficar pronto, um electrodoméstico de pequeno porte não leva mais de três ou quatro horas. “Tudo o que não vai ser pintado é vedado com plásticos e fita-cola. Depois a área a ser pintada é limpa para remover gorduras e sujidades, lixa-se a aplica-se a tinta de fundo com a cor escolhida pelo cliente. A seguir cortam-se os padrões em stencil e pinta-se com outra cor por cima. Para finalizar, as peças levam sempre um verniz protector”, explica Bruno Baleiras.
Depois disto é normal que surjam perguntas pertinentes para as quais o especialista tem resposta. Então e a tinta não vai começar a saltar ao fim de uns tempos? “As tintas de grafitti são altamente resistentes e as cores mantêm-se vivas por muito tempo”. E se usar a varinha-mágica não corro o risco de a tinta escorrer e ficar com a sopa azul? “A área que está em contacto com a comida não é pintada. Como a parte de dentro dos microondas ou dos frigoríficos, por exemplo”. E isto deve ser para cima dum balúrdio, não? “Um frigorífico normal custa entre 150 e 350€, uma torradeira fica entre 25 e 30€. Os preços variam consoante aquilo que o cliente quer”.
Riscas, flores, bolas, borboletas, caras, chamas, bonecos, frases. Difícil, difícil é escolher o que vai ser. Mas depois de pronto resta a certeza de ter um objecto personalizado (a Argonarms garante que não faz duas peças iguais). E a alegria de ter reciclado, o que muito se agradece.
Argonarms, R. Leite Vasconcelos, 5, R/C dir, www.argonarms.com, 21 814 2930 ou 96 628 9554
terça-feira, 27 de Novembro de 2007

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